
Uma das questões que se discute, cada vez mais, é a da gestão da água. Nota-se, nas mais diversas escalas, uma preocupação crescente sobre este tema, havendo uma forte pressão para que a água se torne uma importante “fonte de negócio”, fazendo parte dos conteúdos de grandes empresas transnacionais.
No nosso país a discussão sobre a gestão e distribuição domiciliária da água começa a fazer-se. Segundo dados do Ministério do Ambiente, a esmagadora maioria dos modelos de gestão da água nos municípios está associada aos Serviços Municipais das próprias Câmaras. A criação de Serviços Municipalizados de Água ou de Empresas Municipais para a gestão da água em baixa é muito pouco frequente. Contudo, principalmente desde 2006, surgiu uma nova realidade no modelo de gestão e que consiste na concessão a privados como acontece, por exemplo, na vizinha Vila do Conde.
Estas concessões permitem a entrega de serviços públicos a empresas privadas que, ao procederam à sua exploração e gestão, tentarão, como é natural, obter lucros, facto que tem originado muitas críticas de forças políticas e organizações de cidadãos que consideram a água um bem comum que nunca deveria sair da esfera pública. No entanto, há quem defenda que, atendendo à ineficiência da gestão de muitos desses serviços públicos, poderá ser mais vantajosa a referida concessão dado que algumas empresas privadas poderão, estruturalmente, reunir melhores condições para combater os desperdícios tão associados a muitas empresas públicas.
Reconheço que, para a generalidade dos autarcas, a tentação da concessão por períodos mais ou menos alargados deve ser enorme, atendendo à disponibilidade económica e financeira que permite no curto prazo. Apesar de defender uma economia em que a livre iniciativa e o empreendedorismo sejam valorizados, parece-me que, pela sua especificidade, sensibilidade e valor estratégico, esta deveria ser uma área a manter na esfera pública, desde que se reunissem todas as condições para possibilitar a eficiência da gestão.
Desse modo seria possível, para além de cuidar das questões ambientais, encontrar um equilíbrio entre as preocupações de sustentabilidade económica e financeira das entidades gestoras e as de sustentabilidade social. Seria possível não comprometer, por um lado, a saúde dessas empresas e, por outro, sustentar a indispensável coesão social que, como sabemos, é fundamental para o desenvolvimento de qualquer país ou região.
No sentido de antecipar uma discussão que, estou certo, fará parte da agenda política um pouco por todo o país e no nosso concelho onde o actual presidente defendeu, publicamente, a manutenção na esfera pública, convido-vos a procurar formar opinião sobre tema e votar no inquérito disponibilizado no Descarga.
O mais importante é a eficiência da gestão, independentemente do modelo.
ResponderEliminarestimado blogger Luis Gonzaga:
ResponderEliminarfico abismado quando se fala em gestão privada versus gestão publica...quem assim contrapõe ou não sabe o que é gerir, ou então não está ser coerente ou honesto como tema...existe de facto A BOA Gestão e A MÁ Gestão...normalmente os privados são piores gestores do que os publicos, até pelo facto das auditorias, fiscalizações e controle de gestão ser mais frequente no sector publico e na gestão pública...Gestão Financeira não é sinal nem indicador de boa gestão... O Bom Gestor é aquele gestor cauteloso e preventivo...Em vez de gestor chamemos-lhe feitor ou mordomo...aquele que não põe os ovos todos na mesma galinha choca é o bom gestor..pois assim garante melhor sucesso da ninhada...Não é por acaso que os melhores gestores são os escolhidos para gerirem as carteiras de titulos e acções nas bolsas de valores...porque têm a aptidão necessária para prevenirem o curto e o médio prazo das diversas variáveis do sobe e desce das bolsas de valores e de produtos...
A água, sendo um bem de 1ª necessidade, a sua gestão e distribuição pelo Estado permite que chegue ao consumidor sem custos acrescidos pelos lucros.
ResponderEliminarSabemos que a gestão de bens do Estado só não é eficaz quando se misturam interesses políticos e pessoais dos seus gestores. Leis eficazes, justas e punitivas atenuam e corrigem os desvios.
A água é um bem público.
C. Soares
"e no nosso concelho onde o actual presidente defendeu, publicamente, a manutenção na esfera pública"
ResponderEliminarDaqui a dois meses vai dizer que não defendeu nada disso e troca as tintas mais uma vez.
Como o primeiro anónimo referiu, o que interessa é a eficacia da Gestão. Acontece que o actual executivo já demonstrou que neste campo deixa muito a desejar, sendo que a Varzim Lazer é o expoente máximo da falta de capacidade de Gestão e da oportunidade de oferecer tachos aos amigos.
ResponderEliminarEmbora seja verdade que o fundamental seja a boa gestão, não deixa de ser tambem verdade que esta discussão sobre o modelo tem que ser feita. Só por total desconhecimento do tema é que se pode colocar em causa a abordagem feita sobre o modelo e sobre as hipóteses diferentes que se colocam.
ResponderEliminarOs próximos tempos vão demonstrar que vai ser necessário tomar posição.