Ao contrário das previsões de uma grande parte dos intervenientes activos na vida político partidária da Póvoa, os resultados finais das eleições autárquicas do passado dia 11 de Outubro são reveladores de uma indiscutível vontade de mudança que se traduziu num novo reforço da votação no Partido Socialista (que poderá ser considerado a única alternativa possível de governo local) que, partindo das eleições de 2001 e considerando os resultados de 2005 e 2009, consegue acrescentar perto de 6000 votos à sua votação. No mesmo espaço de tempo, o partido instalado no poder há décadas perde mais de 4000 votos.
Neste último acto eleitoral, e para além dos méritos da candidatura liderada por Renato Matos, houve também um ligeiro reforço da votação na CDU e, sobretudo, um significativo aumento da votação no CDS que permite a este partido estar representado na Câmara Municipal contribuindo, espera-se, para uma maior riqueza e diversidade no debate político que, nestas décadas, pura e simplesmente foi abafado pelas maiorias esmagadoras e pouco tolerantes.
É certo que, apesar das dificuldades, o PSD consegue manter a sua maioria absoluta, mas os sinais de mudança são indiscutíveis e, por esse motivo, uma oposição forte, atenta, responsável e, sobretudo, credível será decisiva para a eventualidade de “acontecer algo” dentro de quatro anos na nossa terra. Os casos de Terroso e A-Ver-o-Mar, nomeadamente a coesão das suas equipas e a persistência e continuidade no trabalho, deverão funcionar como exemplos para a generalidade do concelho.
Mas para que a mudança aconteça é fundamental algo mais. É necessário, também, que todos os poveiros que, no seu íntimo, discordam da acção deste executivo, seja pelos tiques autoritários, ou pela insensibilidade social ou até pela opção constante por grandes obras, algumas de interesse duvidoso, tenham a coragem de intervir, discutir e assumir as suas opiniões porque vivemos num país livre e, como afirmou Miguel de Unamuno, “
A neutralidade cómoda constitui um crime contra os outros e contra nós. É uma maneira de passar a vida lambendo o egoísmo e o medo, de costas viradas para a aventura.”