
O convite que me foi endereçado para ser Mandatário da candidatura de Renato Matos apanhou-me completamente desprevenido. Considero-me um indivíduo que tenta vencer “pequenas batalhas” no seu quotidiano como professor, mas discreto, que não aprecia ser o centro das atenções e, por isso, fiquei bastante admirado com a firmeza do convite.
Perante a vontade manifestada, entendi que era minha obrigação fazer mais do que votar Renato Matos e Partido Socialista, aceitando participar, das mais diversas formas, no apoio a esta candidatura. Ao fazê-lo, estarei apenas a fazer uma intervenção cívica que, espero, mereça a compreensão de quem tem acompanhado este blog, independentemente das respectivas opções de voto. Apesar do respeito que me merecem as restantes candidaturas, entendo que há necessidade de concentrar votos numa alternativa credível ao actual poder. Procurarei, de seguida, fundamentar a minha decisão, justificando as razões essenciais que, apesar da minha condição de independente, me levaram a apoiar as listas do Partido Socialista para as próximas autárquicas.
Há muito tempo que defendo a necessidade de romper com o modelo de exercício do poder autárquico na Póvoa. Estamos, há muitos anos, perante um executivo pouco aberto à crítica e à opinião divergente e que está, cada vez mais, convencido de uma suposta infalibilidade das suas próprias decisões. Esta convicção varia, no caso da Póvoa, na razão directa do tempo no poder. Isto é, quantos mais anos o exercem, mais convencidos estão das suas certezas. Sem querer, de modo algum, contribuir para o reacendimento do clima de conflitualidade que se verificou na Póvoa nos últimos anos, gostaria de deixar uma palavra para todos os que, por “delito de opinião”, viveram momentos pessoais difíceis que, paradoxalmente, estimularam minha vontade de participar de modo mais activo, através do blog Descarga. Espero, sinceramente, que se entre num novo ciclo na Póvoa, em que a existência de opiniões diferentes seja vista como algo de normal e enriquecedor e não implique o afastamento pessoal. Que se compreenda, de uma vez por todas, que quem ganha com a diversidade de opiniões é a Póvoa e são os poveiros.
Acompanhando, com interesse, a vida política local, constatei que, de um modo geral, houve uma coincidência entre as posições que me pareciam mais justas e as que o PS local sustentou. Destacaria as que se relacionam com o turismo, o ordenamento urbano, a mobilidade, o ambiente, o acesso e qualidade das águas e a pobreza e exclusão social. Reconheço que as posições tomadas sobre, por exemplo, os temas “Quintas e Quintas”, Zona E54”, “Construções na Areia”, “Qualidade das Águas” ou “Roteiro Social” permitiram que reconhecesse ao PS Póvoa e, muito em particular a Renato Matos, pertinência e enorme coragem para tentar constituir-se como alternativa credível. Agrada-me, também, que defenda uma espécie de “conciliação com o mar e com os pescadores” que se manifesta, não só, pela contribuição para a melhoria das suas condições de trabalho e para o auxílio à actividade neste mundo cada vez mais global e competitivo, como também pela exploração da sua vertente turística que, à semelhança de muitas outras localidades, poderá funcionar como um grande incentivo ao aumento do número de visitantes que combata a excessiva sazonalidade da nossa oferta turística.
Por outro lado, a candidatura do Partido Socialista apresenta um conjunto de características inovadoras que, na minha opinião, merecerá o apoio dos poveiros. Destacaria as seguintes:
- Inclusão de independentes em lugares de destaque que é demonstrativa de grande abertura à sociedade.
- Participação efectiva, e não apenas como resultado da lei da paridade, das mulheres. Destacaria a candidatura de Elvira Ferreira, como cabeça de lista, à Assembleia Municipal e de Adélia Postilhão e Alexandra Oliveira à presidência da Junta de Freguesia de Beiriz e Argivai respectivamente.
- Participação de muitos jovens que, na minha opinião e ao contrário do que muitos pensam, acrescentam valor a esta candidatura.
A liderar esta candidatura há, precisamente, um jovem que reúne um conjunto de condições pessoais e políticas invulgares e que são justificativas do meu apoio e, espero, o de muitos poveiros. Um dos aspectos que mais aprecio na acção política de Renato Matos relaciona-se com a colocação dos interesses da Póvoa num patamar claramente superior aos seus e aos do seu próprio partido. A sua oposição à instalação de portagens na Scut que nos influencia é demonstrativa da sua originalidade enquanto membro partidário.
Entendo que uma liderança de Renato Matos promoverá uma nova agenda política, muito mais virada para a criação de condições para um maior dinamismo económico apoiado na actividade turística, para as preocupações ambientais e sociais e para a qualidade de vida no nosso concelho do que para a construção de grandes obras de interesse duvidoso. Estou convicto que a mudança geracional na autarquia possibilitará a modernidade na gestão e o combate ao desperdício que favorecerá a implementação daquela nova agenda. Mas muito importante para mim é a firme crença de que com Renato Matos no poder haverá sempre uma postura aberta, construtiva e de busca dos consensos possíveis, na procura das melhores soluções para o nosso concelho.